Quando a nostalgia é ruim!

 

A nostalgia é tida como elemento central da vida de muitos “retrogamers”, mas ela pode ser uma “faca de dois gumes”. 

Ao mesmo tempo que envolve o jogador com um sentimento de “coisa boa do passado”, esse sentimento amarra o jogador em um loop temporal com uma visão limitada e niilista.

Nos últimos anos, houve um grande aumento na popularidade de remakes que pouco agregam no contexto geral de uma obra gamística.

E embora muitos sejam incríveis, isso criou uma expectativa que o fã de franquia antigas deve ser "mimado", com remakes e continuações infinitas dos seus jogos favoritos. 

Particularmente prefiro releituras como Doom 2016, Resident Evil 2 ou Final Fantasy VII, a remakes como Dead Space e Metroid Prime Remastered. 

 

Sobre a imagem do Sonic: preciso mesmo explicar como a nostalgia impediu o Sonic de evoluir no mundo 3D? 

 

O problema da nostalgia

Citei alguns exemplos de bons remakes e "releituras" de jogos clássicos que deram certo, mas e quando o remaster/remake/spin off dá errado?

 Já viu né? Um monte de "macho mimado" chorando porque "estragaram meu jogo favorito de infância".

Se você pensa que minha opinião será de apoio aos fãs... se enganou.

Foi-se o tempo em que eu dava bola para qualquer remake ou remaster dos meus jogos favoritos de 30 anos atrás. 

Não é que eu não goste, muito pelo contrário!

Por mim, os estúdios podem fazer o que quiserem com Mario, Zelda, Mega Man e etc. 

Tudo o que eu não vou fazer e ficar dando chilique na internet. 

São franquias que já passaram por vários estúdios e diretores diferentes. Como querer ter ainda a essência do original?

E digo mais, pra que manter a essência? Ficar presa nas mesmas mecânicas e narrativas? Por que não adicionar algo novo, mudar completamente.  

Uma franquia que já passa dos 20 anos, ela já atinge diversas gerações de jogadores diferentes. 


Quando a nostalgia te limita

Ainda hoje há debates infinitos sobre qual God of War é melhor? A trilogia original, ou os dois novos games. 

Qual Resident Evil é melhor? A primeira trilogia, o quarto game ou os novos com visão em 1ª pessoa. 

Exemplos não faltam e nem precisa ser algo relacionado a reboot de uma franquia.

Por exemplo: jamais diga para um fã de Castlevania que Hollow Knight é um Metroidvania melhor que Symphony of the Night. 

Hollow Knight é um jogo novo (relativamente) que expande uma fórmula batida de um jeito inovador, e que chega a superar algumas das obras em que se inspira.

Hollow Knight é quase incompreensível para alguns retrogamers.

 Muitos nostálgicos de Castlevania jamais darão uma chance a Hollow Knight por conta do seu visual quase minimalista nos gráficos. 

Esse game tem uma paleta de cores simples (no começo) e um herói “inseto” com poucos movimentos (iniciais), mas tudo isso é intencional.

Conforme você joga, Hollow Knight se abre e continua a se abrir, e tem hora que parece que não vai acabar mais.  

É um exercício de paciência, memorização e domínio do controle do personagem. 

O mais engraçado é que games como Hollow Knight lembram exatamente como jogos antigos eram, mas sem apelar para a estética da nostalgia. 

 

Nostalgia saudável

Nostalgia, para mim, faz parte, mas nunca deve ser o todo.

O retrogamer dessas franquias antigas que reclama de tudo na internet fica parecendo uma "criança mimada" que não quer crescer.

Isso inevitavelmente leva a pessoa apenas para um tipo de pensamento: "bom, era no meu tempo". 

Esse tipo de pensamento é exatamente o que o Dário velho aqui não quer ter.

O melhor tempo é o agora!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lojas Americanas faz promoção de "The Crew" em mídia física após desligamento dos servidores

Batocera para celular e TV Android (Retroarch configurado + 10 mil jogos)

15 Joias Escondidas do Mega Drive - Jogos Pouco Conhecidos